A memória afetiva das roupas.

Ano passado fiz o curso de Produção de Moda como já citei aqui no meu post de apresentação, e esse ano apareceu outro curso – no qual as vagas eram limitadas e consegui fazer minha inscrição– chamado Literatura e a Moda, ministrado por um filósofo e um designer. Despertou-me uma curiosidade grande em entender onde esses dois ramos a princípio tão diferentes possam em algum momento se encontrar.

Ao longo do curso, lemos vários textos de autores famosíssimos e que por vezes usam as roupas e a moda em geral para retratar o cenário político, social e principalmente a história da evolução humana. Tudo isso sendo analisado sob um ponto de vista filosófico, o que nos leva a muitos pensamentos que vão além do material, do objeto que é a peça de roupa. Praticamente uma viagem tridimensional! rs
Enfim, em uma das aulas, o Brunno (o professor filósofo) citou Baudelaire, um autor francês do século XIX que fala muito em um de seus textos sobre como as roupas podem carregar em si uma memória afetiva, afirmando que elas não são simplesmente um objeto inanimado. Ao fim da aula, foi-nos colocado um desafio: deveríamos olhar para nosso guarda-roupas e separar as peças que nos traziam algum tipo de lembrança.

Sério, gente. Praticamente todas as minhas roupas me fazem lembrar em que circunstância eu as adquiri, ou onde eu as usei, para qual momento/fase/ocasião da minha vida foram compradas e me remetem até às falas, as conversas do dia em que eu vesti aquela roupa.

Por exemplo, faz uns 4 anos que conheci meu noivo e até hoje eu me lembro exatamente do que eu estava usando e quando penso nelas lembro de cada detalhe daquela noite. E claro, não consegui (e nem quis) me desfazer delas até hoje. Estão guardadas, como se fossem uma relíquia, um troféu (mas eu ainda as uso vez ou outra). Quem me conhece bem, sabe que minha memória é péssima, mas olhando por esse parâmetro, fiquei muito surpresa em perceber que as roupas tem esse poder sobre mim – o de me fazer voltar àquele momento do passado. Isso é a roupa tendo memória afetiva, onde a história de quem as usou fica entranhada nos fios, no tecido.

Assim como as roupas recém-compradas podem refrescar nossas vidas, representar uma fase nova, nós também damos vida àquelas roupas. É como se elas formassem um corpo e nós fôssemos a sua alma. E os acontecimentos, as alegrias, as conquistas, e até mesmo as tristezas e decepções, permanecem nelas para sempre.

Dito tudo isso, deixo aqui uma dica: preencham as roupas com a sua vida. Usem-as! Não desperdicem tempo guardando-as para um momento especial, afinal hoje é especial. Comecem hoje a escrever a sua história nas suas roupas, faça combinações improváveis, diferentes. Elas estão lá no seu armário, prontas para a primeira (ou para a próxima) aventura!

Se fizerem isso, tenho certeza de que ao olharem praquela peça, quase que instantaneamente um sorriso brotará no seu rosto, só de lembrar daquilo que ela viveu com você.

Beijos!
Maísa

2 comentários:

  1. Amei o texto! Tenho que começar a pensar assim: hoje é especial (:
    Um beijo

    Dicas para Todas

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada Mari, ficamos muito felizes pelo seu comentário.
      E lembre-se, todo dia é especial ;)
      Um grande beijo

      Excluir

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Ju e Thata

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