A incoerência dos cristãos

Segue um belíssimo texto, escrito por um pastor (da Igreja Batista de Água Branca), sobre a incoerência de tantos dos que se dizem cristãos. O texto refere-se ao episódio envolvendo os jogadores do Santos numa visita ao Lar Espírita Mensageiros da Luz, que cuida de crianças com deficiência cerebral, para entregar ovos de Páscoa, os jogadores evangélicos se recusaram a entrar por se tratar de uma entidade kardecista.


Reflexão para a paz

Ed René Kivitz, cristão, pastor  e santista desde pequenininho.

Os meninos da Vila pisaram na bola, mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso, cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica na superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião. A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e de cada uma das tradições de fé.

Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra a prática do homossexualismo, ou mesmo, se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião. O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Alá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai. E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir, enquanto outros, e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio, através do assassinato em nome de Deus , ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.  

Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz. Os valores espirituais agregam pessoas, aproximam os diferentes, fazem com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos, no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião. Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade, que a sua religião ensina – ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e a miséria de uma paralisia mental.

Ed René Kivitz


Este texto tem circulado pela internet e junto com ele a  indicação  da qualidade LUCIDEZ ao pastor que teve a coragem e o bom senso de escrever palavras tão sábias.

Ao longo de minha vida sempre percebi a discrepância gigantesca entre os que pregam o cristianismo fervorasamente, mas praticam livremente a maledicência e o julgamento sem limites.

Faça o que eu falo não o que eu faço...

Em contra partida, conheci aos montes, generosíssimas pessoas não ligadas a nenhum Deus ou a nenhuma religião, mas que propagam amor e solidariedade sem necessitar de palavras (ao vento), apenas praticando o que é o certo.

Sei que existem pessoas excelentes rumando para uma evolução plena...passo a passo, num caminho lento e repleto de  provações...seguindo ou não alguma religião.

Há milhares de seres-humanos de alta qualidade e coração repleto de amor: espíritas, evangélicos, budistas, católicos e ateus...

E são esses exemplos  que busco seguir...sem me fixar a estampas, sem resumir as pessoas!







2 comentários:

  1. Parabéns! Postei no meu blog também.

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  2. Mari... quando vi o título do seu post no blogger, pensei: "agora f... tudo". Fiquei muito aliviada quando li o post, não só por provar que há gente coerente em toda parte, inclusive na religião, mas pq não sei se vc se lembra como teve gente ferida quando, em posts passados, eu falei sobre a incoerência dos cristãos em relato sobre a sobre a sexta-feira santa.

    Sou ateísta e isso não é segredo nenhum. Nem motivo de orgulho e menos ainda de vergonha. Eu sou eu e pronto. Meus defeitos e valores não vêm de um deus mas de mim mesma. Evoluí de uma bactéria e não da costela de um homem. Até por isso não sou inferior a homem nenhum e nem superior a bactéria alguma.

    Mas me deparo corriqueiramente com os ferozes "mensageiros de cristo" que se enchem de virtudes para estender o dedo na cara dos "pecadores" mas não levantam a mesma mão para ajudar ninguém.

    Tenho um grande amigo que é padre. Um dos homens mais espiritualizados que já conheci. Ele sempre diz que não tem tempo para se ocupar da religião além das missas que celebra. Também não tem tempo para se preocupar com a eternidade pois para ele trata-se de uma consequência de nossos atos presentes. E pq tanta falta de tempo? Pq o seu tempo é curto e ele tem muito à fazer! E efetivamente faz.

    Por isso, não só os imbecis que deixaram de atender ao seu próprio deus se recusando a entrar na instituição que ao contrário deles, representa a bondade divina, já que por princípio cristão há uma parcela de deus em cada um de nós, mas também todos os que levantam a bandeira de um deus de papel, mostrado em contos, em livros de origem incerta, em linguagem arcaica e sem sentido, em falácias sem fim, em cruzes e cruzadas deveriam estender tapetes vermelhos e lançar pétalas de rosas no caminho dos espíritas seguidores da doutrina de Kardec.

    Não digo isso por achar a doutrina exemplo de religiosidade pois desprezo religiões, sejam como e quais forem, mas pq ao longo da vida, a esmagadora maioria de pessoas que vi fazendo algo por alguém, ou não tinham religião ou eram seguidoras de Kardec. Não há um só templo kardecista que não tenha obras sociais. Não tive o desprazer de conhecer um só kardecista que não me trouxesse a remota possibilidade da existência de um deus em seus próprios atos. Conheço incontáveis católicos, pseudo-católicos, evangélicos, candomblecistas, umbandistas que só enchergam o altar e o umbigo. Entre judeus e muçulmanos minha experiência é fifty-fifty. Os poucos budistas que conheço são altamente solidários.

    Falta muito... talvez toda a eternidade para esses jogadoresinhos de merda e sua corja de formadores e asseclas representarem algum valor divino na terra! Bjn...

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Ju e Thata

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