Crispim...

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Olá meninas... Espero que tenham tido uma boa semana. Hoje não tenho o que falar. Minha tristeza é imensa - infinita.

Foram muitos meses de resistência. Medicações sem fim. Idas e vindas de vários veterinários. Transfusões. Gatos queridos que doaram sangue. Outros desconhecidos não menos queridos que salvam vidas de tempos em tempos. Melhoras que muito me alegraram. Mas à noite passada Crispim não resistiu. Virou estrela. No seu lugar, deixou um buraco.

Ele chegou com apenas um dia de vida junto com o Ale, seu irmão que também perdeu a luta para a leucemia há pouco mais de um ano.

Tentamos muito. Tentamos tudo. Infelizmente não sou tão poderosa assim. Quisera sê-lo, mas sou insuportavelmente humana!

Fico com o peito cheio de saudade e felizmente a mente cheia de lembranças de sua chegada, das mamadeiras durante madrugadas, das vacinas, de nebulizações, dele bebendo água direto da torneira, de seu costume de se deitar "foquinha" - expondo a barriga, contra todos os instintos felinos, durante sono tranquilo, por absoluta confiança em mim. Quanta honra!

A maior das minhas alegrias é perceber como me olham esses animais que passam pela minha vida e que me permitem, de alguma forma, fazer parte da vida deles. A cumplicidade que se vê nos olhos deles é imensa! A confiança que depositam em mim é aquela de quem nunca foi traído - ou se o foi, esqueceu-se.

Hoje me fogem as palavras, pois a tristeza ocupa todos os espaços em mim. E é por isso que deixo com vocês a "oração do cão abandonado" que recebi certa vez de amigos, esperando que cada uma de vocês pense sobre a responsabilidade que temos com os animais e sobre como podemos mitigar o seu sofrimento.

Hoje ainda há mais pessoas que abandonam do que pessoas que recolhem, mas nós que recolhemos somos muito, muito, muito fortes! Temos ao nosso lado a força da consciência tranquila e da retidão de caráter. Juntem-se a nós! Não compre animais. Adote!

"Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro. Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira, me fez descer do carro, e virando-me as costas, foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo. Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés. Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da port
a.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam. Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva, mas muitas vezes sou chutado. As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito, mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado. Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente, e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo. Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão, pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados, sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto,
com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados, pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço, pois não são humanos, m
as são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo. Amém."


Crispim foi mais um dos meus adotados. Permitiu-me dele cuidar e me fez muito feliz! Infinita saudade...


5 comentários:

  1. cara que triste ;/
    sinto muitoo!
    perder um animal de estimação é como perder um membro da familia...

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  2. Sinto pelo seu lindinho. Mas, agora acredito que ele está em um lugar especial agradecido pelo carinho que você deu a ele!
    Beijos

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  3. Eu sei o que é essa tristeza...
    Agora terá um anjinho a olhar por você!

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  4. Jana...impossível não chorar com este relato...e vc, mesmo triste, consegue nos trazer alguma lição..que sua dor se suavize a cada dia e que vc continue neste mesmo caminho de amor e solidariedade aos animais. Força, sempre! Quando escolhemos não nos alienar...escolhemos também sofrer muito mais que todas as outras pessoas, que amam seus animais, mas viram o rosto para os sarnentos das ruas.

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Ju e Thata

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