Apenas refletindo...

Olá meninas... espero que tenham tido uma semana produtiva. A minha foi corrida, mas repleta de trabalho, de estudo e, sobretudo, de pensamentos.

Em verdade tenho pensado tanto que estou começando a ficar incomodada com isso, pois quanto mais penso, mais me atordoa a nossa condição, em todos os sentidos.

Quem me conhece um pouquinho sabe da minha mania de molesquines. Sempre ando com uma porque quando vejo um endereço, um telefone importante, logo tomo nota e não fico cheia de papéizinhos que certamente serão perdidos.

Outra função para as minhas molesquines é servirem de fuga todas as vezes que pensamentos me atordoam. Hoje estive relendo algo que escrevi numa delas e constatei o quanto esse hábito é benéfico! Não só notamos com ele nossa evolução, como também podemos medir o quanto pensamos, quais são nossos valores e se eles se mantém com o andar dos ponteiros.

Caiu-me como luva o texto que li de algum tempo e que traduz bem o quanto ando perturbada esses dias. Espero que ajude alguém. Espero que ao menos a solidão de se achar o único ser incomodado do mundo cesse com ele, pois únicos não somos nem nos pensamentos - ao contrário do que normalmente ouvimos. Definitivamente não somos únicos, mas tão somente partes de um todo.

Talvez passemos pela vida sem dar às frustrações o valor que elas de fato têm. O grande problema não está em supervalorizar ou subestimar o que nos frustra, mas em verdade, a culpa novamente é do "tempo". Ele mesmo. O senhor de todos os nossos dias!

A dinâmica da coisa é bem simples: quando somos muito jovens, quase nada nos atinge. Não por sermos mais fortes, mais bonitos ou mais esperançosos. Claro que esses são atributos da juventude, mas o que, de fato, faz a grande diferença, é que quando somos mais jovens, temos uma maior predisposição de recomeçar. Enfatizo: Isso em nada tem relação com a perda de esperança que os anos nos permitem acompanhar, nem com força tampouco. É simplesmente: "predisposição".

Ao que me parece, o tempo se mostra por diversas faces à todos nós, mas algo há de comum em todas elas: ele se torna mais grave com o rodar dos ponteiros. O que antes nos acometia e, sem qualquer cerimônia, dávamos de ombros, não podemos mais fazer com a mesma leveza dado o peso dos anos.

Aprisionamo-nos por tão pouco! E nossas correntes são tão robustas! Se atentarmos ao fato de que aos 17 anos sonhávamos ser médicos para salvar o mundo e aos 27 constatamos que podemos simplesmente "fazer a nossa parte" - o que nem sempre basta para salvar o mundo - e que além disso, o dinheiro passa a ter um valor muito diferente, pois agora precisamos garantir algo chamado "sustento", percebemos que também foi reduzido o valor dos nossos sonhos! Que tragédia! Quer dizer que além de não podermos salvar o mundo, ainda teremos que contar nossas moedas para nos sustentar? Deus meu! Onde foi parar a tal lei da ação e reação?

O mais impactante das tais constatações é que não importa o quanto você se dedique para garantir que o seu futuro será confortável, pois se você errou muito tentando ou simplesmente não se empenhou tanto quanto deveria, pagará por sua incompetência dependendo de alguém para tudo na vida. Enquanto isso, esse alguém que acertou em suas escolhas e se empenhou mais que todos à sua volta, o que o fez ter uma melhor condição do que os demais mortais, pagará por seu sucesso sustentando você! Estamos mesmo todos condenados!

"Pensar" definitivamente é a pecha mais profunda da existência humana, pois somente a consciência da própria condição é capaz de provocar sofrimento. É pelo pensamento que o homem avança, mas é também por esse ato que ele destrói o mundo e, aos poucos, a si próprio.

Enquanto sonhamos, somos livres, mas quando pensamos, costuramos elo a elo nossas correntes e quanto mais pensamos, mais fortes ficam as amarras que nos atrelam a sabe deus o que. Tenho pensado tanto! Mal tem sobrado espaço para os sonhos. E os ponteiros rodam sem parar.

Como toda dinâmica, ao menos teoricamente, pode ser interrompida, a princípio podemos inverter esse processo. Novamente há uma receita para isso: a primeira coisa a se fazer é tentar viver de forma mais simples. Exatamente. Quem pensou nos ensinamentos de Ghandi, Dalai Lama, Chico Xavier ou mesmo Oprah Winfrey, acertou em cheio.

O negócio é tentar se livrar o máximo possível dos pequenos prazeres, afinal, o que são eles diante da liberdade? Feito isso, o que, obviamente, se dá em graduação, podemos passar para o passo seguinte: desestruturar o que criamos para nós nesse período - nossas prisões. Abrir mão. Libertar. Libertar-nos.

Um aviso importante aos navegantes com menos de 30 anos, é que o que parece muito simples e rápido, no melhor estilo auto-ajuda "seja feliz em três passos", não é exatamente tão automático e ligeiro quanto parece. Esse processo demanda tempo, força, perseverança, parcimônia e paciência. E a junção de tudo isso não garante sucesso algum.

E claro que não obstante tenha eu citado o poderoso título "seja feliz em três passos" e apontado apenas dois deles, não vou terminar a tal receita, simplesmente por considerar que o terceiro passo é a forma pela qual tais medidas serão tomadas, e isso é pessoal demais. A minha forma já está aqui demonstrada aos mais atentos e ouso profetizá-la como suposto poderoso conselho:

Para evitar críticas desnecessárias pelo caminho, ou ter que se deparar com frases do tipo: "seu problema é a falta de problemas" ou "você reclama de barriga cheia" ou "você não tem vergonha de se ocupar com isso enquanto tanta gente tem que lutar para sobreviver?", faça-o em silêncio.

Eu, pessoalmente, mestre da língua solta, já ouvi todas essas pérolas do arsenal dos vitoriosos; mas nas poucas oportunidades em que cultivei o silêncio e a introspecção, apenas ouvi o canto harmonioso dos meus sonhos. Todos belos. Todos possíveis. Todos livres. Sem nada a dever. Sem nada a pagar.

Tenham um bom fim de semana...

4 comentários:

  1. Que lindo texto Jafa! Como passo por situações difíceis por não dar ao silêncio a importância que ele deve ter! Em muitos casos, o silêncio é mesmo a melhor resposta. bj.

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  2. Muito bom num dia assim friozinho como hoje ler um bom texto. E melhor ainda encontrar esse texto na internet onde normalmente só se escreve coisas que não se aproveita para nada! Você sempre traz qualidade literária para a blogsfera. Obrigada! E essas fotos maravilhosas? São suas também? bj.

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  3. BIANCA: Sabe querida, ultimamente tenho achado que o silêncio é a melhor resposta em TODOS os casos! Acho que ando meio sem paciência para dar respostas que ele certamente fará melhor! Bjn...

    BETINA: Muito obrigada, querida! As fotos são minhas sim. De trabalhos recentes. Se tudo correr bem, farão parte de uma exposição no fim do ano. Bjn...

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  4. Um longo aprendizado: o silêncio...
    Acho que a evolução consiste em saber exatamente o momento de intervir ou calar...eu ainda me perco entre os dois...
    Mas estou viva e o mundo dá, a cada dia, novas chances de evolução...
    Lindo texto!bjo

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Ju e Thata

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