Água... Aguaceiro... Aguadouro...

Olá meninas... espero que tenham tido uma semana produtiva...

Estava até esta manhã meio na dúvida sobre o que falaria aqui hoje, pois como a Lu não passou por aqui esses dias e a Mari falou de amor, tranquilamente poderia ficar pra mim a missão de acabar com a beleza do blog esta semana. Pensei e pensei sobre como fazer isso até que um vizinho meu me ajudou!

Apenas para esclarecimento, moro em um condomínio cujos imóveis não são nada baratos na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Trabalho muito em bairros do subúrbio da cidade onde a renda per capta não ultrapassa dois salários mínimos. Nasci em São Paulo onde morei grande parte da vida em um bairro nobre e tenho, num bairro da periferia da cidade, a minha casa-abrigo, na qual tento minimizar o sofrimento de alguns animais.

O que pretendo com todas essas informações? Mostrar a vocês que apesar de minha vida estar resumida no eixo RJ-SP, não sou uma Rapunzel louca que fica gritando do alto de sua torre. Conheço duas realidades sociais bem distintas e transito naturalmente de uma à outra.

Em relação às questões que envolvem o meio ambiente sabem o que eu encontro nas duas faces dessa moeda? A mesma desídia. O mesmo “dar de ombros” . O mesmo “não é problema meu”. O mesmo “não é tão grave assim – esses ecologistas não passam de um bando de urubus”.

Hoje de manhã eu fui levar comida para uma colônia de gatos que eu monitoro e passei por um ponto do condomínio onde moro em que há duas torneiras com mangueiras para que os moradores possam lavar seus carros. Ali estava o meu consciente vizinho que vive num imóvel de meio milhão de reais, esfregando a roda de seu carro enquanto a mangueira jorrava água ralo a dentro.

Não foi essa a primeira vez que presenciei essa cena tórrida. Outras vezes já eu abordei vizinhos em conduta similar – hora pedindo-lhes a mangueira, para ver se se tocavam, hora perguntando claramente se não haveria possibilidade de fechar a torneira enquanto esfregavam os carros.

Na maioria das vezes não fui mal-tratada, mas em algumas delas, notei o quanto o vizinho olhava pra mim pensando: “Essa mulher está precisando ser comida!”

É claro que não participei a nenhum deles que a minha vida sexual está em dia, pois creio que eles não compreenderiam como uma pessoa que aparentemente não tem grandes problemas para resolver pode estar tão afetada com a simples degradação do planeta – afinal, no que isso me afetaria?

De qualquer forma, esse mesmo comportamento eu já pude presenciar nos subúrbios onde trabalho, com seus moradores jogando o sofá velho no córrego porque conseguiram comprar um novo. O mesmo com a geladeira, o fogão, o lixo, e por aí vai.

Carros sendo lavados a mangueira – aberta sempre, é claro – tanques e mais tanques de água com sabão da lavagem das roupas descendo ralo abaixo; calçadas sendo varridas com água corrente e toda a sorte de atrocidades que se possa imaginar..

Conclusão clara disso: consciência não tem classe social e, infelizmente, já pouco tem guarida em nossa sociedade.

Hoje, metade da população mundial (mais de 3 bilhões de pessoas) enfrenta problemas de abastecimento de água. Muitas fontes de água doce estão poluídas ou, simplesmente, secaram. Cerca de 97% da água existente no planeta Terra é salgada (mares e oceanos), 2% formam geleiras inacessíveis e, apenas 1% é água doce, armazenada em lençóis subterrâneos, rios e lagos.

Temos apenas 1% de água, distribuída desigualmente pela Terra para atender a mais de 6 bilhões de pessoas (população mundial). Esse pouquinho de água que nos resta está ameaçado. Isso porque, somente agora estamos nos dando conta dos riscos que representam os esgotos, o lixo, os resíduos de agrotóxicos e industriais.

Cada um de nós tem uma parcela de responsabilidade nesse conjunto de coisas. Mas, como não podemos resolver tudo de uma só vez, que tal começarmos a dar a nossa contribuição no dia-a-dia? Você sabe quantos litros de água uma pessoa consome, em média, por dia? Não? São cerca de 250 litros (isto mesmo, 250 litros ou mais): banho, cuidados de higiene, comida, lavagem de louça e roupas, limpeza da casa, plantas e, claro, a água que se bebe.

Dá para viver sem água? Não dá. Então, a saída é fazer um uso racional deste recurso precioso. A água deve ser usada com responsabilidade e parcimônia. Para nós, consumidores, também significa mais dinheiro no bolso. A conta de água no final do mês será menor. O mais importante, no entanto, é termos a consciência de que estamos contribuindo, efetivamente, para reduzir os riscos de matarmos a nossa fonte de vida.

Apesar de toda a demagogia em torno do assunto, o mundo continua sem políticas globais para a racionalização do uso da água e as iniciativas existentes nesse sentido são pontuais e, em geral, temporárias.

Infelizmente, as medidas visando à racionalização do consumo da água em nosso país são efêmeras e, portanto, eficazes apenas enquanto duram, em geral períodos relacionados a grandes secas, que exigem ação emergencial por parte das autoridades. Assim, a sociedade não desenvolve políticas permanentes de racionalização.

Essa situação faz com que metrópoles dos estados do Sul/Sudeste e Nordeste brasileiros sejam obrigadas a buscar água em mananciais cada vez mais distantes, devido à poluição das águas por dejetos humanos e industriais e ao assoreamento de rios, lagos e represas, a um custo que aumenta exponencialmente e com danos ao meio ambiente. Cada nova represa e reservatório de água provoca desmatamento e, assim, contribui para diminuir o ciclo das chuvas e a quantidade de água doce disponível nessas regiões.

O governo tem a sua parcela de culpa nisso? Evidentemente que sim! O atual e todos os anteriores. O federal, o estadual e o municipal. Todos os que não tomaram nenhuma atitude efetiva para combater esse grave quadro que se encaminha a passos largos para o completo caos. Mas pergunto: São os governos os únicos responsáveis? São eles que esfregam as rodas de seus carros com a torneira aberta? São eles que jogam seus sofás no córrego? Parece-me que quem faz isso é a tão inocente população! Aquela mesma que estende suas mãos para receber tudo o que os governos quiserem dar, mas que recolhem seus braços ao menor sinal de força-tarefa. Os mesmos que querem receber sem nada dar. Os que só pensam em seus próprios rabos e que exploda todo o resto!

Pouca gente sabe, mas atualmente 40% do volume de água tratada que é servido à população acaba, literalmente, sendo desperdiçado. O problema é que essa constatação pode ser encarada como mais uma daquelas vergonhas que o brasileiro costuma esconder, só que o caso é realmente grave: a água está se tornando escassa em todo o planeta e se as coisas não começarem a mudar, poderemos assistir à concretização daqueles cenários desolados dos filmes futuristas.

Desde o final do ano de 1997, o governo está tentando atingir companhias de saneamento, empresas e usuários em geral com uma campanha que visa baixar as perdas de água para 25%: trata-se do Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Água.

Se o programa for bem sucedido, essa redução vai resultar numa economia de 2,6 bilhões de metros cúbicos de água, avaliada em R$ 1,27 bilhão por ano. Nada mau, para um país que precisa acertar suas contas.

O setor rural também apresenta uma performance merecedora de atenção: é o maior usuário do Brasil, correspondendo a cerca de 70% do consumo total de água e, lamentavelmente, é também o maior poluidor.

O projeto prevê a expansão para uma visão de manejo integrado de solo e água. A intenção é desenvolver campanhas educativas e oferecer financiamento para atividades que recuperem e melhorem os mananciais, estimulando os produtores a, por exemplo, recuperar matas ciliares ou cuidar para que os dejetos de suas propriedades não contaminem os mananciais.

No âmbito urbano, além das medidas concretas como verificação e eliminação de vazamentos e ligações clandestinas, alteração das normas de construção de prédios e residências, entre outras, existe também um grande desafio que é a mudança no comportamento da população que, atravessando gerações, vem enraizando cada vez mais a cultura do desperdício.

Segundo alerta da ONU (Organização das Nações Unidas), divulgado no mês de março, dentro de 25 anos, um terço da população mundial enfrentará graves desabastecimentos de água, aumentando o perigo de guerras pelos recursos hídricos. A declaração do vice-secretário geral da ONU, Hans van Ginkel, não foi nada animadora: “conflitos por causa de água, guerras civis e internacionais ameaçam tornar-se um fator-chave do panorama mundial no século XXI”.

Ainda de acordo com o relatório da ONU, a escassez de água é agravada pela poluição, pelo uso ineficiente e pelo consumo insustentável dos lençóis subterrâneos através dos poços artesianos. As reservas hídricas também são prejudicadas por sua administração insuficiente e fragmentada, relutância em tratar a água como patrimônio econômico público e pela inadequada preocupação com a saúde e questões ambientais.

A ONU está preocupada e com razão: hoje já sabemos que o estoque utilizável de água potável, de 9 mil Km3 ao ano, está próximo do esgotamento. A recomendação é que consumidores e cidadãos participem mais direta e ativamente na administração desse recurso natural.

Atualmente muitos países já enfrentam problemas com a escassez de água. Mas o Brasil tem muita água, podem pensar alguns. É o Brasil realmente tem. A Amazônia, por exemplo, é portadora da maior bacia fluvial do mundo. Só que esses “muitos e maiores” são também aplicados às taxas de poluição e desperdício. Só para se ter uma idéia, apenas na região metropolitana de São Paulo, metade da disponibilidade de água está afetada pela existência de lixões sem qualquer tratamento sanitário.

A água contaminada é responsável pela transmissão de várias doenças como desinteria e cólera, entre outras.

Em outras regiões do Brasil a história não é muito diferente: metais tóxicos, como o mercúrio usado no garimpo, acumulam-se criminosamente em nossas águas. Para cada 450 gramas de ouro extraídos dos rios da Amazônia, o dobro de mercúrio é despejado na água resultando num cálculo assustador: cerca de 100 toneladas anuais desse metal envenenam a Bacia Amazônica.

Por isso, vale a pena pensar, ao menos de vez em quando, que há algo além de nossos próprios umbigos e tentarmos fazer algo para contribuir com um melhor futuro para o planeta.

Eu sou capaz de passar pela vida e deixar este planeta sem que saibam quem eu fui, mas não estou preparada para partir sem deixar algo que gerações futuras possam saber que “foi feito por alguém” e que isso respalde o conforto de suas vidas.

E você? Se partisse hoje, iria de consciência tranqüila? Teria deixado um legado de solidariedade, ética e consciência? Haveria quem se lembrasse de você por algo de importante que você, em algum momento, dignou-se a fazer em prol dos outros?

Bom final de semana...

4 comentários:

  1. Vc disse tudo! Afinal, o q é q vamos deixar pras gerações futuras? Um monte de lixo e água poluida? Vergonhoso...
    Bjos!

    ResponderExcluir
  2. Oi Jana! Td bem?´
    Sou eu, a Lú! Relamente faz tempo que não "dou as caras" pelo Sem Firulas, né? É q estou hiper sem tempo (até mandei um email pra Thata explicando minha ausência indeterminada), mas esqueci de copiar vcs no emil. Desculpas!!
    Vou ficar um bom tempo sem escrever pois como disse pra Thata estou tendo contra tempos entre cursos e vida profissional e não estou conseguindo administrar tudo como gostaria... :-(
    Mas em tempo, estarei na arquibanda das seguidoras desse blog pra ler e comentar sempre q puder sobre tudo que vcs deixam aqui, como esse post de hoje por exemplo. Parabéns!!!! Precisamos lembrar que água é uma das maiores riquezas do Homem. Mas infelizmente o homem é tão inteligente pra algumas coisas mas incrivelmente burro pra outras...
    Que Deus dê sabedoria pro ser humano. Somente isso q peço.
    Bjs e até breve!

    ResponderExcluir
  3. Parabens pelo otimo texto, tbm me impressiona tanta gente jogando agua fora. falta total de consciencia, nao importa mesmo o nivel do individuo.

    ResponderExcluir
  4. Jessy: Ao que parece, infelizmente sim, querida... Não temos tido a preocupação devida nem com o nosso próprio bem-estar, que dirá com as gerações futuras! bjn...

    Lulitas: Lu, querida... claro que notei tua ausência que aliás é maléfica ao blog, na minha opinião, pois teus posts são muito legais! Mas faço votos que vc consiga organizar o teu tempo da melhor maneira possível e, claro, passe por aqui pra dar pitacos! Bjn...

    Reicla: Temos tanto a evoluir que as vezes dá até desânimo, querida! Parece que são tão poucos os que pensam! A mim parece que a esmagadora maioria das pessoas vive por viver. Faz tudo no automático e não tem um pingo de respeito pelo planeta e ética para com os outros! Tomara que isso seja só uma impressão errônea! Bjn...

    ResponderExcluir

Obrigada pelo seu comentário e pela visita!

Se seu comentário for uma pergunta, pedimos que deixe um e-mail de contato, pois não conseguimos responder comentário anônimos!

Ju e Thata

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Sem firulas © Layout criado por: Algodão Doce Design
imagem-logo