A massa que ninguém vê: CATADORES

Olá meninas ( e possíveis meninos, também!) ! Essa semana, para variar, estou numa corrida com as crianças, entre médicos e vacinas e não preparei nada específico para postar aqui. Mas aproveitando a onda reflexiva do blog, vou dividir com vocês, um texto que está no meu blog sobre os catadores de lixo. Espero que gostem e comentem! Quero saber a opinião de vocês, mesmo que seja diferente da minha...Até quarta que vem!

Todos os dias eles estão por entre os carros, por todas as ruas, na chuva fina ou no sol forte, puxando um carrinho abarrotado. Todos os dias eles trabalham limpando o que você sujou. Eles fazem esse trabalho silencioso, revirando o seu lixo, desvendando o quão impactante é o seu consumo cotidiano.

Eles estão espalhados, trabalham sozinhos ou acompanhados; mulheres, homens, velhos ou crianças; eles são a população da heterogênia. Não há fracos, não há fortes, há pessoas sobrevivendo do seu lixo.



O lixo que você descarta, sem se importar aonde vai parar. O lixo dos aterros, das calçadas dos escritórios, dos latões, do meio da rua. O lixo que iria entupir mais bueiros, contaminar os solos, chegar ao oceano e assassinar espécies. O seu lixo de cada dia é o ganha pão do dia deles.

O lixo que ninguém quer mexer, que todo mundo reclama, que as autoridades escondem por baixo dos tapetes...todo esse lixo são eles que recolhem. Eles são quem o mundo sentenciou: catadores. Uma legião de seres-humanos fazendo o trabalho que ninguém quer fazer e sem o mínimo reconhecimento por isso.

Homens sem nome nem sobrenome, sem registro na carteira e passaporte para a cidadania. São eles: homens e mulheres de todas as idades que mostram ao mundo o que o mundo não quer ver: o seu lixo é reciclável, é viável economicamente; gera renda, ofício, sustenta famílias.

O seu lixo, que você insiste em misturar : bituca de cigarro com garrafa pet, embalagem de sorvete e restos de comida que você deixou apodrecer, sobra para eles. São eles que tocam na sua sujeira de cidadão civilizado, incapaz de lavar, separar e reciclar os restos do seu próprio consumo.

Você não é capaz disso! Mas eles são capazes de muito mais! São os verdadeiros agentes ambientais não remunerados pelo governo, explorados pelos sucateiros, ignorados pela outra massa dentro de suas máquinas poluidoras.

Eles estão diminuindo o impacto do consumo da sua família e da família dos seus vizinhos. É você que tem que dizer obrigado, sempre que alguém recolher os recicláveis que você ia jogar fora junto com seu lixo. Não eles!

Pensem nisso!

Uma observação de extrema importância: Imprenscindível dizer que os catadores, os quais eu menciono e defendo nesta postagem, não são os mesmos que utilizam cavalos em sua jornada de trabalho. Homens de verdade trabalham com seu suor e força e não utilizam animal nenhum, numa exploração que minimiza seus esforços. Animais não estão aqui para nos servirem e nenhuma exclusão social e dificuldade financeira, por mais extrema que seja, justifica maus tratos, inanição e escravidão. Esses cavalos explorados pelos homens chegam a ter seus olhos vazados pelas chicotadas que invariavelmente recebem de seus algozes. E isso, além de inaceitável é um crime! E criminosos devem ser penalizados.



Essa é uma realidade com qual não compactuo, nem aceito jamais. É uma realidade que eu repudio!







9 comentários:

  1. Nossa, muito forte seu texto. Eu realmente nunca prestei atenção nos catadores de lixo... mas faço a minha parte reciclando-o!
    bjs

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  2. Super,hiper,mega aprovado esse texto...concordo com tudo que você disse,sem tirar nem por...repudio qualquer pessoa que faça algum mal a animais...e realmente os catadores merecem reconhecimento...pois poucas pessoas enxergam o esforço deles...não desmereço nenhum tipo de trabalho,nenhum é inferior ao outro,pois todos precisamos uns dos outros pra sobreviver,não é mesmo?...bjkixxxxxxxxxx

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  3. Super bem lembrado Mari! Uma profissão de extrema importância como qquer outra. Principalmente no tocante a reciclagem da imensa quantidade de lixo produzida por todos nós... Aqui na Europa tem várias coisas que NÃO gosto, mas se existe uma que gosto posso dizer que é o RESPEITO por qquer tipo de trabalho (seja ele qual for). Coisa que o brasileiro acho q ainda tem que amadurecer pra dar valor a qquer tipo de trabalho tb,(pois existe ainda muita discriminação em vários setores profissionais).
    Gd beijo

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  4. Muito bom chegar aqui e ver o tema abordado. Precisamos de mais iniciativas e conscientização.
    Muitas pessoas sentem até nojo de chegar perto dos catadores e nem imaginam o bem que eles fazem ao Planeta. Quem são os ignorantes dessa história?


    Beijos!

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  5. Olá! Vim aqui te convidar pra participar da Promoção "Já pro Banho" no meu blog http://brecho-da-thay.blogspot.com com o prêmio de uma MEGA CESTA DE BANHO do RAY COSMÉTICOS e que começa na quinta feira, 03/06/10. Não deixe de participar. Te espero lá!
    Obrigada pela atenção.
    Beijocas, Thayminco

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  6. JA me revoltei, quando vi a imagem do animal caido.... REPUDIO, TENHO NOJO, ODEIO, ME CAUSA MAL ESTAR, em ver animais maltratados...
    Se alguém fizer isso na minha frente, vai morrer...de tanto apanhar, so depois chamo a policia...
    Eu to aprendendo a separar meu lixo...
    Deixo as garrafas pets, separadas e toda segunda vem um moço que pega....
    Ainda preciso separar o restante, estou aprendendo....
    Esses "seres" ai são e não pessoas boas... Aos que são iguais a esse ai em cima deveriam sofrer como os animais...Aos que dependem disso e vão "catar", não consigo entender o porque Deus coloca tantas coisas assim no mundo....
    Um beijo querida

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  7. Lilith - De fato não fui muito amena nesse texto. Fico feliz que recicle seu lixo, já está na frente da maioria. Como moro em casa e saiu muito de bicicleta, me deparo sempre com essa pessoas. Vejo a quantidade grandiosa que eles recolhem de recicláveis, vejo sua timidez e tantas vezes, uma amargura. Em especial há um senhor que tem, com certeza, uns 80 anos e todos os dias, na chuva ou no sol, ele passa puxando o seu carrinho fazendo esse trabalho incansável...não tem como não reparar, como não admirar tanta força.

    Kamylla - Exatamente...enquanto admiro os trabalhadores que usam de sua própria força para trabalhar, me revolto com esses aproveitadores de animais. Por aqui a situação melhorou um pouco, mas vez ou outro me deparo com esses animais, em suas carroças, resignados e tristes...

    Lulitas - Essa capacidade norte americana e européia de valorizar o trabalho, seja ele qual for, desde que honesto, que nós não temos, sempre me chamou a atenção. Somos um país subdeselvolvido, principalmente no que diz respeito a preconceitos retrógrados e classificações sociais. Respeitamos statos, pose, roupa cara, mas não reparamos nas faxineiras, catadores, coletores, nas pessoas que garantem que ainda tenhamos lugares decentes para viver. E isso é triste e imundo!

    Marina G - tocou no ponto certo! Quem são os ignorantes? Os que tapam o sol com a peneira, os que pautam seus pontos-de-vista apenas no que se assemelha a sua imagem? Os que vivem a vida focados no próprio umbigo, ou esses anônimos que numa luta diária trazem benefícios grandes ou pequenos as pessoas e ao planeta?

    futura gostosona - Obrigada pelo convite!

    Jana - Os primeiros passos vc já deu. Reciclar já é minimar os efeitos nocivos do nosso consumo diário. Quanto aos animais, tenha meu apoio. Pessoas que torturam animais, não merecem respeito, merecem punição!

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Mari... Mais um excelente texto - só pra variar! Vamos ao que penso sobre os catadores: Há muito tempo aboli da minha vida o desrespeito em forma de piedade. Sim - a mim parece que a pena que sentimos do outro, muitas vezes é a pura tradução do nosso preconceito: Só sentimos pena de quem julgamos inferior e partindo do princípio libertário que creio seja aplicado a todos os animais, dentre eles o homem, não me sindo a vontade em compactuar.

    Mencionei outro dia no horizonte uma das primenras lições de respeito que tive, no início da infância, vendo meu pai enrolando uma lâmpada quebrada em camadas grossas de jornal para jogar fora. Perguntando a razão, ele me disse em sua simplicidade: "Se eu jogar direto no lixo, pode cortar o lixeiro". É claro que eu não tinha a menor noção da extensão daquele ato, mas achei bonito e, já adulta, vim entender quão grande é esse homem de poucas palavras, de cansaço aparente e de simplicidade matuta, que tanto me ensinou sobre o respeito ao próximo.

    Não fico tocada quando vejo os catadores em seu ofício, pois entendo seu trabalho como da maior dignidade e eu o faria com o mesmo orgulho com o qual fotografo ou advogo. É de nobreza inconteste o trabalho deles.

    O que me penaliza não são suas roupas, suas feições simples ou a força que fazem nos seus carrinhos abarrotados, mas como vc bem disse: a sua invisibilidade. É como se não existissem - mas creio que justamente como produto da "pseudo pena" que deles sentimos. Repare como a maioria de nós diz: "Coitadinho" ou "isso é um absurdo" e, no segundo seguinte, balançamos a cabeça e esquecemos tudo. Voltamos aos nossos assuntos - o que realmente importa.

    Creio que se trabalhássemos nós mesmos, ao invés de olhar o tempo todo para o outro, o resultado seria um "outro" realmente foco do nosso respeito, pois nele nos espelharíamos. E o que me atinge eu sinto. Já o que atinge o outro, eu me limito a me indignar, mas nem por isso embalo as lâmpadas quebradas em jornal! O que não me toca não me move!

    Perfeito quando vc diz "Não há fracos, não há fortes, há pessoas sobrevivendo do seu lixo" - pois é exatamente o que são: pessoas como eu e como vc, que se sustentam reciclando, ou seja, cuidando do planeta! São dignos de admiração e não de pena!

    Quanto à criminosa prática de escravização animal promovida por seres humanos, novamente como eu e vc, é desnecessário dizer que não pode ser acobertada sob o manto de pobreza alguma, pois a única pobreza que mostra é a de caráter - aquela que não se adquire na feira, que não se aprende na escola! Aquela que nos falta ao chicotear um animal tanto quanto ao comer a sua carne ou adquirir um produto que contém o seu sofrimento!

    Mari, querida! Somos todos iguais! Com a mesma podridão escondida dos outros e, muitas vezes, de nós mesmos!

    Lamentável a imagem do cavalo caído por exaustão! Lamentável a conduta do carroceiro que o explorou! Lamentável que o fotógrafo tenha apenas fotografado e não chamado, com o seu dineheiro, um veterinário! Não era obrigação dele? Solidariedade não é dever de todos? Lamentável que pessoas tenham passado por ali com olhares de estupor e balançado a cabeça e esquecido no minuto seguinte! Lamentável que vejamos essa foto e continuemos sentadas, aumentando nossas bundas e nossa falta de ética! Que não cuidemos do nosso lixo, que olhemos o outro como inferior, o animal como produto ou escravo!

    Mas o mais lamentável de tudo é que sejamos e permaneçamos cegos! Acreditando fielmente que não é nosso problema ou que fazemos nossa parte.

    Obrigada, querida... por mais um post que mostra o quão grande é a tua lucidez e o quão maior é o teu caráter! Parabéns... bj...

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Ju e Thata

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